Mosteiro de San Zoilo

Em Carrión de los Condes, cheguei no domingo, 01 de outubro de 2023, aproximadamente às 2 horas da tarde. Depois de pedalar por 7 horas desde Castrojeriz, a carcaça solicitava algo além de água e repouso naquele instante.

Entre os albergues disponíveis, fiz uma escolha ousada, mas consciente. Decidi me hospedar no Mosteiro de San Zoilo. Não pelo luxo (afinal, foi a hospedagem mais cara do percurso), mas pelo anseio de experimentar, mesmo que apenas por uma noite, a presença da ordem de Cluny, que construiu o mosteiro e sobre quem li tanto a respeito. Estava bastante curioso em relação à experiência.

O Mosteiro de San Zoilo foi estabelecido no século X e consolidado a partir do século XI, com a chegada dos beneditinos vinculados à reforma de Cluny.  Desde então, ele se estabeleceu como uma das principais referências espirituais e políticas do Caminho de Santiago. Reis visitaram o local, concílios foram conduzidos, e decisões significativas foram tomadas.

Foi impossível não imaginar os monges de Cluny repetindo diariamente os mesmos gestos, as mesmas orações, o mesmo ritmo — uma vida organizada em torno da disciplina, do trabalho e do recolhimento.

Dormir em San Zoilo foi, para mim, uma extensão natural do Caminho por estar dentro da história. Não se trata de nostalgia religiosa, mas procurei visitar lugares que ainda preservam uma espécie de “espírito do caminho”. Dormir ali foi como alinhar, por algumas horas, o meu ritmo ao ritmo antigo do lugar.

Ao deixar o San Zoilo na manhã seguinte, experimentei uma sensação que até aquele momento não havia vivenciado. Nada espetacular, nada místico, mas contemplativo.

San Zoilo não é apenas um hotel ou mais ponto turístico no mapa. É um lembrete de que o Caminho sempre foi sustentado por gente que acreditava na pausa, na ordem e na hospitalidade.